Flávio Bolsonaro viajou em jato ligado a Daniel Vorcaro durante tratativas de filme sobre o pai
Voo dos Estados Unidos para Brasília ocorreu às vésperas de repasse financeiro sob investigação no Supremo Tribunal Federal

A movimentação da campanha presidencial e os inquéritos no STF impactam o xadrez político e as disputas eleitorais em todo o país.
O senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência da República, viajou da Flórida para Brasília em 19 de janeiro de 2025 a bordo de um jato executivo operado por uma empresa que tinha entre seus cotistas o ex-banqueiro Daniel Vorcaro. O parlamentar estava acompanhado da esposa, de suas duas filhas e do advogado e empresário Willer Tomaz.
A aeronave utilizada no trajeto internacional, um modelo Legacy 650, pertencia formalmente a uma empresa dividida em três partes: uma pertencente a Tomaz, outra a um empresário fundador do setor de tecnologia e a terceira gerida pela operadora executiva, da qual Vorcaro constava como sócio até setembro de 2025. Registros do deslocamento foram identificados pela Polícia Federal no âmbito de apurações sobre irregularidades no INSS.
O período do voo coincidiu com as negociações para que Vorcaro aportasse recursos no projeto do longa-metragem "Dark Horse", produção cinematográfica sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro. O senador é formalmente investigado pelo Supremo Tribunal Federal em inquérito que apura o financiamento do filme, empreendimento para o qual o ex-banqueiro transferiu ao menos R$ 65 milhões, com cronograma que previa envio de verbas dias após a viagem.
O mesmo avião executivo também foi utilizado em agosto de 2025 pelo ministro do STF Alexandre de Moraes. Na ocasião, o senador teceu críticas públicas ao magistrado por conta do episódio, enquanto a campanha eleitoral de Flávio acionou a Corte solicitando investigação sobre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva por suposta atuação em benefício do ex-banqueiro.
Em manifestação, a defesa de Willer Tomaz declarou que cabia à operadora a administração integral e o agendamento de voos da aeronave, afirmando que oferecia assentos vagos a pessoas conhecidas sem custos. O advogado sustentou que só tomou conhecimento posterior sobre o envolvimento de Vorcaro na empresa gestora e que passou a litigar contra ela, ressaltando nunca ter mantido tratativas comerciais com o ex-banqueiro.
A reportagem do Diário continuará a acompanhar o andamento dos inquéritos abertos no Supremo Tribunal Federal e as respostas formais dos envolvidos sobre a utilização da aeronave.
O outro lado
Direito de resposta e contraditório, conforme a Lei 13.188/2015.
Flávio Bolsonaro— Procurado, não respondeu
Não houve manifestação do senador sobre a utilização da aeronave.
Defesa de Daniel Vorcaro— Procurado, não respondeu
A defesa do ex-banqueiro não se pronunciou sobre o caso.
Willer Tomaz— Respondeu em 24 de setembro de 2026
Confirmou participação societária no avião e afirmou que a gestão cabia à operadora, sem conhecimento prévio da entrada de Vorcaro. Afirmou ainda ceder vagas no jato sem contrapartida e não ter negócios com o ex-banqueiro.
Presidência da República (Lula)— Respondeu em 24 de setembro de 2026
Negou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva tenha recebido presentes ou direcionado recados ao ex-banqueiro.
Fontes
Flávio Bolsonaro viajou dos EUA ao Brasil em 2025 em jato de Vorcaro, diz revista (Folha · Poder)primária(24/09/2026)
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