28 de setembro de 2026

Diário SP

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MP investiga delator que registrou 570 prêmios de loteria no valor de R$ 176 milhões

Operação apura se apostas foram utilizadas para lavagem de dinheiro ligada ao setor de combustíveis

Por Redação Diário2 min de leitura
MP investiga delator que registrou 570 prêmios de loteria no valor de R$ 176 milhões

Investigações sobre fraudes em combustíveis e lavagem de capitais impactam a fiscalização e as finanças públicas em São Paulo.

O empresário Antônio Carlos Freixo Júnior figurou 570 vezes como beneficiário de prêmios e apostas esportivas ou lotéricas entre os anos de 2020 e 2025. O montante acumulado nas operações chega a R$ 176,4 milhões, conforme dados de investigação conduzida pelo Ministério Público de São Paulo.

As transações foram reportadas ao Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) devido a indicativos de atipicidade. A apuração aponta que o volume de recursos movimentados, a alta frequência das premiações e o uso reiterado de casas lotéricas configuram indícios de manobras para dissimular a origem de dinheiro ilícito. Pelo princípio constitucional da presunção de inocência, as apurações tratam de suspeitas que ainda não foram submetidas a julgamento definitivo.

De acordo com os promotores, havia uma dinâmica de triangulação: apostas realizadas em nome de terceiros tinham os valores transferidos diretamente para contas bancárias vinculadas a empresas do empresário, a exemplo da Cactus Assessoria e Serviços Ltda. Em um caso identificado, um prêmio de R$ 2.389,33 oriundo de aposta feita por outra pessoa foi creditado diretamente na conta da referida pessoa jurídica.

Freixo foi alvo de mandados de busca e apreensão na terceira fase da Operação Carbono Oculto, deflagrada para combater esquemas de lavagem de capitais e adulteração no mercado de combustíveis em São Paulo. O empresário é apontado pelo MP como articulador financeiro ligado a investigados foragidos. Duas empresas associadas a ele aparecem no fluxo financeiro sob análise: a EntrePay, que recebeu R$ 166,5 mil da fintech Ceopag, e a Entre Investimentos, que transferiu R$ 620 mil à empresa Quimicolor, suspeita de negociar metanol desviado para combustível.

O investigado possui acordo de colaboração homologado pelo Supremo Tribunal Federal em apurações referentes a instituições financeiras. Segundo os promotores paulistas, a identificação das transações financeiras não configura declaração prévia de culpa, servindo para elucidar a destinação dos valores e a eventual participação dos agentes econômicos citados.

A redação do Diário SP busca contato com a defesa de Antônio Carlos Freixo Júnior e vai acompanhar o desdobramento das medidas cautelares e os eventuais esclarecimentos apresentados à Justiça paulista.

O outro lado

Direito de resposta e contraditório, conforme a Lei 13.188/2015.

Antônio Carlos Freixo Júnior— Resposta solicitada

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Fontes

Delator do Banco Master, Antônio Freixo foi ‘ganhador’ 570 vezes de prêmios e apostas que somam mais de R$ 176 milhões, diz MP (g1 São Paulo)primária(24/09/2026)

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