MP denuncia dois falsos médicos por mortes em hospital na Zona Leste da capital
Promotoria aponta uso de registros de terceiros e pede prisão preventiva da dupla e indenização para as famílias

Investigação aponta cerca de dois mil atendimentos ilegais em unidade de saúde da Zona Leste paulistana.
O Ministério Público do Estado de São Paulo apresentou denúncia contra Marcos Phelipe de Barros e Mayke César Silva pelo crime de homicídio qualificado com dolo eventual. A Promotoria sustenta que os dois atuavam irregularmente no Hospital de Clínicas Jardim Helena, na Zona Leste da capital, assumindo o risco de matar ao realizarem procedimentos sem formação em Medicina. Como se trata de acusação penal sem decisão judicial definitiva, vigora para ambos a presunção de inocência.
De acordo com a denúncia assinada pelo promotor Rogério Leão Zagallo, os acusados utilizavam os nomes e números de registro profissional dos médicos Nicolas Joseph Della Matta e Mike José do Nascimento Florentino. A investigação aponta que a dupla realizou cerca de 2.000 atendimentos ao longo de dois anos, período em que foram registrados nove óbitos associados a condutas inadequadas. Outras mortes suspeitas continuam em fase de apuração pelas autoridades.
A Promotoria imputa aos denunciados a responsabilidade direta pelas mortes de Arlindo Francisco de Lucena, de 66 anos, que buscava socorro com encefalopatia hepática e não recebeu medicamentos básicos nem suporte adequado, e de Aurineide Batista da Silva, atendida com insuficiência respiratória aguda e submetida a atrasos em procedimentos essenciais, sem requisição de exames radiológicos. O Ministério Público requereu a prisão preventiva dos acusados, pendente de análise judicial, e uma indenização mínima de R$ 200 mil para a família de cada vítima.
A defesa dos acusados classificou a ação policial como midiática e injusta. Os advogados sustentaram que Barros é biomédico e Mayke é instrumentador cirúrgico, afirmando que ambos tinham permissão para trabalhar no ambiente hospitalar e negando que prestassem consultas médicas. Em relação a Mayke, que não foi detido na operação, a defesa declarou que ele se entregará às autoridades.
Em nota, a direção do Hospital de Clínicas Jardim Helena comunicou que foi vítima de fraude e rechaçou qualquer conluio com os acusados. A entidade informou que formalizou boletim de ocorrência no 22º Distrito Policial (São Miguel Paulista) e instaurou apuração interna logo após tomar ciência dos fatos, em junho de 2025. O Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp) declarou que casos de falsidade profissional constituem atribuição da polícia e destacou a disponibilidade de consulta pública ao seu guia médico para verificação de registros.
A redação do Diário SP acompanhará a manifestação da Justiça a respeito do recebimento da denúncia, a decisão sobre a prisão preventiva dos réus e os inquéritos policiais em andamento sobre as outras mortes sob suspeita.
O outro lado
Direito de resposta e contraditório, conforme a Lei 13.188/2015.
Marcos Phelipe de Barros e Mayke César Silva (Defesa)— Respondeu em 23 de setembro de 2026
Afirmou que a operação foi midiática e injusta, que Barros é biomédico e Mayke é instrumentador cirúrgico, negando que atuassem como médicos, e comunicou que Mayke irá se entregar à polícia.
Hospital de Clínicas Jardim Helena— Respondeu em 23 de setembro de 2026
Declarou repudiar acusações de conluio, afirmou ter sido vítima de fraude e informou ter registrado boletim de ocorrência e aberto apuração interna assim que foi notificado pela polícia.
Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp)— Respondeu em 23 de setembro de 2026
Informou que o exercício ilegal da profissão é matéria policial, que aciona órgãos competentes em casos suspeitos e que mantém consulta pública em seu site para checagem de médicos.
Fontes
MP denuncia falsos médicos por mortes em hospital na Zona Leste de SP (g1 São Paulo)primária(23/09/2026)
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