24 de setembro de 2026

Diário SP

As informações do Estado e da cidade de São Paulo

Fato apuradoVerificado pela redação com documentos e fontes que se sustentam.
Alegação não julgadaAcusação ou denúncia ainda sem decisão. Publicamos com o outro lado.
Em abertoApuração em andamento. Falta informação que já pedimos e ainda não veio.
Denúncias · Zona Leste de SPAlegação não julgada

MP denuncia dois falsos médicos por mortes em hospital na Zona Leste da capital

Promotoria aponta uso de registros de terceiros e pede prisão preventiva da dupla e indenização para as famílias

Por Redação Diário2 min de leitura
MP denuncia dois falsos médicos por mortes em hospital na Zona Leste da capital

Investigação aponta cerca de dois mil atendimentos ilegais em unidade de saúde da Zona Leste paulistana.

O Ministério Público do Estado de São Paulo apresentou denúncia contra Marcos Phelipe de Barros e Mayke César Silva pelo crime de homicídio qualificado com dolo eventual. A Promotoria sustenta que os dois atuavam irregularmente no Hospital de Clínicas Jardim Helena, na Zona Leste da capital, assumindo o risco de matar ao realizarem procedimentos sem formação em Medicina. Como se trata de acusação penal sem decisão judicial definitiva, vigora para ambos a presunção de inocência.

De acordo com a denúncia assinada pelo promotor Rogério Leão Zagallo, os acusados utilizavam os nomes e números de registro profissional dos médicos Nicolas Joseph Della Matta e Mike José do Nascimento Florentino. A investigação aponta que a dupla realizou cerca de 2.000 atendimentos ao longo de dois anos, período em que foram registrados nove óbitos associados a condutas inadequadas. Outras mortes suspeitas continuam em fase de apuração pelas autoridades.

A Promotoria imputa aos denunciados a responsabilidade direta pelas mortes de Arlindo Francisco de Lucena, de 66 anos, que buscava socorro com encefalopatia hepática e não recebeu medicamentos básicos nem suporte adequado, e de Aurineide Batista da Silva, atendida com insuficiência respiratória aguda e submetida a atrasos em procedimentos essenciais, sem requisição de exames radiológicos. O Ministério Público requereu a prisão preventiva dos acusados, pendente de análise judicial, e uma indenização mínima de R$ 200 mil para a família de cada vítima.

A defesa dos acusados classificou a ação policial como midiática e injusta. Os advogados sustentaram que Barros é biomédico e Mayke é instrumentador cirúrgico, afirmando que ambos tinham permissão para trabalhar no ambiente hospitalar e negando que prestassem consultas médicas. Em relação a Mayke, que não foi detido na operação, a defesa declarou que ele se entregará às autoridades.

Em nota, a direção do Hospital de Clínicas Jardim Helena comunicou que foi vítima de fraude e rechaçou qualquer conluio com os acusados. A entidade informou que formalizou boletim de ocorrência no 22º Distrito Policial (São Miguel Paulista) e instaurou apuração interna logo após tomar ciência dos fatos, em junho de 2025. O Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp) declarou que casos de falsidade profissional constituem atribuição da polícia e destacou a disponibilidade de consulta pública ao seu guia médico para verificação de registros.

A redação do Diário SP acompanhará a manifestação da Justiça a respeito do recebimento da denúncia, a decisão sobre a prisão preventiva dos réus e os inquéritos policiais em andamento sobre as outras mortes sob suspeita.

O outro lado

Direito de resposta e contraditório, conforme a Lei 13.188/2015.

Marcos Phelipe de Barros e Mayke César Silva (Defesa)Respondeu em 23 de setembro de 2026

Afirmou que a operação foi midiática e injusta, que Barros é biomédico e Mayke é instrumentador cirúrgico, negando que atuassem como médicos, e comunicou que Mayke irá se entregar à polícia.

Hospital de Clínicas Jardim HelenaRespondeu em 23 de setembro de 2026

Declarou repudiar acusações de conluio, afirmou ter sido vítima de fraude e informou ter registrado boletim de ocorrência e aberto apuração interna assim que foi notificado pela polícia.

Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp)Respondeu em 23 de setembro de 2026

Informou que o exercício ilegal da profissão é matéria policial, que aciona órgãos competentes em casos suspeitos e que mantém consulta pública em seu site para checagem de médicos.

Fontes

MP denuncia falsos médicos por mortes em hospital na Zona Leste de SP (g1 São Paulo)primária(23/09/2026)

Se você foi citado nesta reportagem e quer responder, use o formulário de direito de resposta. Encontrou um erro? Escreva para a redação — correções ficam registradas em /correções.