29 de setembro de 2026

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Banco Genial identificou apuração da CVM antes de negócio ligado à Terrana, diz Gaeco

Setor de conformidade do banco detectou processo administrativo contra empresário, mas estrutura financeira continuou

Por Redação Diário2 min de leitura
Banco Genial identificou apuração da CVM antes de negócio ligado à Terrana, diz Gaeco

Investigação do Ministério Público apura o uso do sistema financeiro para mascarar o avanço do crime organizado no mercado de combustíveis em São Paulo.

A terceira fase da Operação Carbono Oculto aponta que o Banco Genial identificou, em verificações internas de compliance, que o empresário Antonio Carlos Freixo Junior e a empresa Entre Investimentos eram alvos de processo administrativo na Comissão de Valores Mobiliários (CVM). O alerta ocorreu antes de a instituição financeira atuar na montagem da estrutura para aquisição da distribuidora de combustíveis Terrana, conforme investigação conduzida pelo Ministério Público do Estado de São Paulo.

Segundo o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), a transação prosseguiu mesmo após a identificação do procedimento regulatório. A apuração na autarquia tratava de negociações irregulares com cotas do Brazil Realty Fundo de Investimento Imobiliário e culminou, em setembro, em condenações administrativas e multas aplicadas a Freixo, à Entre, a Daniel Vorcaro, ao Banco Master e à Viking Participações, decisão sujeita a recurso com efeito suspensivo.

Na apuração sobre o setor de combustíveis no estado de São Paulo, os promotores sustentam que a aquisição da Terrana foi arquitetada para beneficiar Roberto Augusto Leme da Silva e Mohamad Hussein Mourad, investigados por liderar esquemas ligados ao crime organizado. Para ocultar os reais controladores, foi montada uma engenharia financeira circular composta por holdings e fundos de investimento, incluindo repasse de R$ 20 milhões da Entre para a Usina Itajobi antes do destino final ao fundo Radford, administrado pelo Genial a partir de agosto de 2024.

Relatórios de inteligência financeira detalham ainda que a Entre recebeu R$ 32,48 milhões da Duvale Distribuidora e repassou R$ 2,84 milhões ao escritório Garcia Peres Advogados, apontado como responsável pela estruturação jurídica do negócio. Como a apuração do Gaeco está em fase de inquérito e diligências, as suspeitas de lavagem de capitais não configuram condenação judicial definitiva, prevalecendo a presunção legal de inocência de todos os citados.

Em nota, o Banco Genial informou que forneceu todos os registros ao Gaeco e comunicou as operações ao Coaf, ressaltando que cumpriu os regulamentos da época, afastou e destituiu o diretor citado e contratou auditorias externas para reforçar seus controles internos. Já as defesas de Roberto Augusto Leme da Silva e Mohamad Hussein Mourad sustentaram que os clientes não foram alvos dos mandados recentes e desconhecem os fatos sob escrutínio da promotoria.

A redação acompanha os próximos passos da investigação do Gaeco no Judiciário paulista e busca contato com os representantes legais dos demais investigados para atualizar a cobertura.

O outro lado

Direito de resposta e contraditório, conforme a Lei 13.188/2015.

Banco Genial— Respondeu em 25 de setembro de 2026

A instituição declarou que enviou todas as informações voluntariamente ao Gaeco e ao Coaf, seguiu as normas do setor, afastou e destituiu o ex-diretor citado em maio de 2026 e reforçou sua governança.

Roberto Augusto Leme da Silva e Mohamad Hussein Mourad— Respondeu em 25 de setembro de 2026

As defesas informaram que os dois não foram alvos da fase deflagrada pelo Gaeco e que desconhecem os fatos em investigação.

Antonio Carlos Freixo Junior e Entre Investimentos— Resposta solicitada

Não foi possível localizar o citado para comentar. O espaço segue aberto.

Paulo Narcélio Simões do Amaral— Resposta solicitada

Não foi possível localizar o citado para comentar. O espaço segue aberto.

Garcia Peres Advogados— Resposta solicitada

Não foi possível localizar o citado para comentar. O espaço segue aberto.

Fontes

Genial identificou investigação da CVM contra empresário antes de operação para compra da Terrana, diz MP (g1 São Paulo)primária(25/09/2026)

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