Banco Genial identificou apuração da CVM antes de negócio ligado à Terrana, diz Gaeco
Setor de conformidade do banco detectou processo administrativo contra empresário, mas estrutura financeira continuou

Investigação do Ministério Público apura o uso do sistema financeiro para mascarar o avanço do crime organizado no mercado de combustíveis em São Paulo.
A terceira fase da Operação Carbono Oculto aponta que o Banco Genial identificou, em verificações internas de compliance, que o empresário Antonio Carlos Freixo Junior e a empresa Entre Investimentos eram alvos de processo administrativo na Comissão de Valores Mobiliários (CVM). O alerta ocorreu antes de a instituição financeira atuar na montagem da estrutura para aquisição da distribuidora de combustíveis Terrana, conforme investigação conduzida pelo Ministério Público do Estado de São Paulo.
Segundo o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), a transação prosseguiu mesmo após a identificação do procedimento regulatório. A apuração na autarquia tratava de negociações irregulares com cotas do Brazil Realty Fundo de Investimento Imobiliário e culminou, em setembro, em condenações administrativas e multas aplicadas a Freixo, à Entre, a Daniel Vorcaro, ao Banco Master e à Viking Participações, decisão sujeita a recurso com efeito suspensivo.
Na apuração sobre o setor de combustíveis no estado de São Paulo, os promotores sustentam que a aquisição da Terrana foi arquitetada para beneficiar Roberto Augusto Leme da Silva e Mohamad Hussein Mourad, investigados por liderar esquemas ligados ao crime organizado. Para ocultar os reais controladores, foi montada uma engenharia financeira circular composta por holdings e fundos de investimento, incluindo repasse de R$ 20 milhões da Entre para a Usina Itajobi antes do destino final ao fundo Radford, administrado pelo Genial a partir de agosto de 2024.
Relatórios de inteligência financeira detalham ainda que a Entre recebeu R$ 32,48 milhões da Duvale Distribuidora e repassou R$ 2,84 milhões ao escritório Garcia Peres Advogados, apontado como responsável pela estruturação jurídica do negócio. Como a apuração do Gaeco está em fase de inquérito e diligências, as suspeitas de lavagem de capitais não configuram condenação judicial definitiva, prevalecendo a presunção legal de inocência de todos os citados.
Em nota, o Banco Genial informou que forneceu todos os registros ao Gaeco e comunicou as operações ao Coaf, ressaltando que cumpriu os regulamentos da época, afastou e destituiu o diretor citado e contratou auditorias externas para reforçar seus controles internos. Já as defesas de Roberto Augusto Leme da Silva e Mohamad Hussein Mourad sustentaram que os clientes não foram alvos dos mandados recentes e desconhecem os fatos sob escrutínio da promotoria.
A redação acompanha os próximos passos da investigação do Gaeco no Judiciário paulista e busca contato com os representantes legais dos demais investigados para atualizar a cobertura.
O outro lado
Direito de resposta e contraditório, conforme a Lei 13.188/2015.
Banco Genial— Respondeu em 25 de setembro de 2026
A instituição declarou que enviou todas as informações voluntariamente ao Gaeco e ao Coaf, seguiu as normas do setor, afastou e destituiu o ex-diretor citado em maio de 2026 e reforçou sua governança.
Roberto Augusto Leme da Silva e Mohamad Hussein Mourad— Respondeu em 25 de setembro de 2026
As defesas informaram que os dois não foram alvos da fase deflagrada pelo Gaeco e que desconhecem os fatos em investigação.
Antonio Carlos Freixo Junior e Entre Investimentos— Resposta solicitada
Não foi possível localizar o citado para comentar. O espaço segue aberto.
Paulo Narcélio Simões do Amaral— Resposta solicitada
Não foi possível localizar o citado para comentar. O espaço segue aberto.
Garcia Peres Advogados— Resposta solicitada
Não foi possível localizar o citado para comentar. O espaço segue aberto.
Fontes
Genial identificou investigação da CVM contra empresário antes de operação para compra da Terrana, diz MP (g1 São Paulo)primária(25/09/2026)
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