Nelson Wilians entrega documentos ao MP, nega fraude no ICMS e culpa banca parceira
Advogado foi alvo da Operação Distrato em apuração sobre suposto rombo de R$ 3,8 bilhões aos cofres públicos

Investigação conduzida por órgãos paulistas apura o uso de créditos tributários sem comprovação para abater imposto estadual.
O advogado Nelson Wilians apresentou documentos ao Ministério Público para refutar suspeitas de envolvimento em suposto esquema bilionário de sonegação do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS). O material entregue às autoridades atribui a responsabilidade pela execução e venda dos créditos tributários sob suspeita à banca paranaense De Paula Advogados e Consultoria Tributária, antigo escritório parceiro de seu grupo.
A ofensiva faz parte da Operação Distrato, deflagrada em 15 de julho pelo Comitê Interinstitucional de Recuperação de Ativos de São Paulo (Cira), formado pelo Ministério Público, pela Procuradoria-Geral do Estado e pela Secretaria da Fazenda e Planejamento. O órgão apura supostos crimes contra a ordem tributária, organização criminosa, estelionato, falsidade documental e lavagem de dinheiro em negociações que teriam causado prejuízo de R$ 3,8 bilhões aos cofres paulistas, alcançando 752 empresas. Até o momento, o procedimento não conta com denúncia, indiciamento ou decisão judicial condenatória.
Segundo a documentação levada ao órgão de investigação, a aproximação entre os escritórios ocorreu em 2023, período em que a estrutura de Wilians atuava na captação e intermediação de clientes, cabendo ao De Paula a condução técnica e a validação perante a administração fazendária. Em novembro de 2024, a área de compliance do grupo paulista encerrou formalmente o contrato após apontar falta de transparência e divergências cadastrais nos créditos inseridos em sistemas estaduais, como o e-CredAc e a Guia de Informação e Apuração do ICMS.
A defesa de Nelson Wilians sustenta que os registros comprovariam a idoneidade de sua banca e demonstrariam que a responsabilidade operacional era exclusiva dos parceiros de Londrina. Por se tratar de fase investigatória preliminar, prevalece o princípio da presunção de inocência para todos os citados no procedimento do Cira.
A reportagem do Diário SP continuará acompanhando o trâmite do inquérito junto aos órgãos de fiscalização do Estado e buscará novos posicionamentos dos envolvidos à medida que as investigações avançarem.
O outro lado
Direito de resposta e contraditório, conforme a Lei 13.188/2015.
Nelson Wilians— Respondeu em 20 de setembro de 2026
A defesa informou por meio de nota que os documentos entregues ao Ministério Público comprovam sua inocência e a regularidade de sua banca, ressaltando que a gestão e a execução das operações eram de responsabilidade exclusiva do escritório De Paula.
Mayra Fahur de Paula e De Paula Advogados— Resposta solicitada
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Fontes
Nelson Wilians nega fraude bilionária no ICMS, apresenta documentos à investigação e responsabiliza 'escritório parceiro' (g1 São Paulo)primária(20/09/2026)
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