SUS planeja priorizar público vulnerável na oferta de PrEP injetável contra HIV
Medicamento de aplicação bimestral recebeu parecer preliminar favorável e aguarda definição de cronograma pelo Ministério da Saúde

Inclusão de profilaxia de longa duração promete ampliar opções de proteção ao HIV, mas impõe desafios de acompanhamento na rede pública de saúde.
A Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde (Conitec) emitiu recomendação preliminar favorável à incorporação do cabotegravir injetável à rede pública. Caso a inclusão seja confirmada pelo Ministério da Saúde, o planejamento prevê priorizar pessoas em situação de maior vulnerabilidade ao HIV que enfrentam entraves sociais ou estruturais para manter o uso diário da Profilaxia Pré-Exposição (PrEP) em comprimidos.
O cabotegravir de longa duração consiste em um antirretroviral aplicado por via intramuscular. O protocolo em análise estabelece uma dose inicial seguida de reforço um mês depois, passando então para aplicações a cada dois meses. Por permanecer no organismo por períodos prolongados, a fórmula exige testagem periódica e acompanhamento médico contínuo, a fim de monitorar a ausência de infecção antes de cada nova aplicação.
Ensaios clínicos citados na avaliação técnica apontaram reduções expressivas no risco de infecção em comparação ao esquema oral diário, com taxas de diminuição relativa que chegaram a 89% em estudos específicos. Especialistas avaliam que a tecnologia amplia o leque de prevenção sem o objetivo de substituir totalmente a opção em comprimidos, atendendo perfis que encontram dificuldades na rotina contínua de medicação ou sofrem com estigmas.
A implementação, contudo, envolve obstáculos operacionais para assegurar que os usuários consigam retornar aos postos a cada bimestre, especialmente no caso de populações em situação de rua. No estado e na capital paulista, onde a rede de atenção básica e os serviços de assistência especializada já ofertam a profilaxia oral, a eventual chegada do modelo injetável demandará estratégias ativas das equipes de saúde para manter o vínculo sem exigir formalidades restritivas.
A redação acompanhará os desdobramentos da consulta e do relatório final da Conitec, a homologação pelo Ministério da Saúde e os prazos de compra e distribuição do fármaco na rede pública de São Paulo.
Fontes
PrEP injetável no SUS priorizará vulneráveis (Poder360)primária(26/09/2026)
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