PF pediu duas vezes afastamento de Carlos Brandão em inquérito sobre desvios no Maranhão
Investigação aberta a partir de dados do Coaf apura repasses suspeitos em contratos estaduais e municipais

Inquérito em tramitação no STF analisa suspeitas de fraudes em licitações e lavagem de dinheiro envolvendo empresas ligadas à família do governador maranhense.
A Polícia Federal solicitou por duas vezes à Justiça o afastamento do governador do Maranhão, Carlos Brandão (MDB), no âmbito de uma apuração sobre desvio de recursos públicos. Os pedidos não foram acolhidos. A corporação também requereu mandados de busca e apreensão contra o chefe do Executivo estadual, a filha dele e dois de seus irmãos.
A investigação foi instaurada em 2024 a partir de relatórios do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) que apontaram movimentações atípicas, concentradas principalmente em Colinas (MA). Conduzido em conjunto com a Controladoria-Geral da União (CGU), o caso apura a prática de corrupção passiva, organização criminosa, fraudes em licitações, crimes tributários e lavagem de dinheiro. Por envolver autoridades com foro especial, o processo tramitou inicialmente no Superior Tribunal de Justiça (STJ) e posteriormente seguiu para o Supremo Tribunal Federal (STF), sob relatoria do ministro Flávio Dino.
Segundo a apuração policial, empresas ligadas ao grupo familiar do governador teriam firmado 237 contratos entre 2015 e 2024 com o governo estadual e com a Prefeitura de Colinas, totalizando cerca de R$ 100 milhões. A CGU apontou indícios de direcionamento em concorrências públicas. A apuração sustenta que parte das firmas operava com pessoas interpostas para viabilizar repasses de contratos a outras companhias do grupo e quitar despesas pessoais.
O processo ainda está em fase de inquérito e não conta com julgamento de mérito, prevalecendo a presunção de inocência de todos os citados. Em nota, a defesa do governador Carlos Brandão declarou que não teve acesso integral aos relatórios por estarem sob segredo de Justiça e rechaçou qualquer acusação de prática criminosa.
A redação acompanha os desdobramentos da apuração no Supremo Tribunal Federal e monitora eventuais decisões processuais sobre as medidas cautelares solicitadas.
O outro lado
Direito de resposta e contraditório, conforme a Lei 13.188/2015.
Carlos Brandão— Respondeu em 24 de setembro de 2026
A defesa afirmou que não teve acesso aos relatórios sob segredo de Justiça e rechaçou qualquer acusação de prática criminosa.
Marcus Brandão— Procurado, não respondeu
A reportagem procurou o citado e não obteve resposta até a publicação. O espaço segue aberto.
Representantes das empresas Vigas Engenharia e EMA— Não foi localizado
Não foi possível localizar o citado para comentar. O espaço segue aberto.
Governo do Estado do Maranhão— Respondeu em 24 de setembro de 2026
O governo sustentou que o uso de valores atrelados ao Fundef referiu-se a juros de mora dos precatórios, recurso que pode ser direcionado a obras de infraestrutura.
Fontes
PF pediu afastamento de governador do Maranhão em inquérito sobre desvio de recursos (Folha · Poder)primária(24/09/2026)
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