PF investiga pagamento de coffee break de R$ 19,8 mil por pessoa na Docas do Pará
Operação Sonar apura desvios em contrato de eventos; teto previsto para o serviço era de R$ 2,2 mil

A apuração sobre gastos de estatais federais expõe o rigor necessário no controle e na fiscalização de verbas públicas.
A Companhia Docas do Pará (CDP), empresa pública federal vinculada à União e responsável pela administração portuária paraense, é alvo de apurações da Polícia Federal (PF), do Ministério Público Federal (MPF) e da Controladoria-Geral da União (CGU). As investigações apontam suspeita de superfaturamento e desvio de verbas, incluindo o pagamento de R$ 19,8 mil por pessoa para um coffee break que pode nem ter sido realizado.
O serviço de buffet foi contratado para atender uma comissão de 20 integrantes durante auditoria no Terminal Petroquímico de Miramar, em Belém, no mês de maio de 2025. O montante total pago pela estatal alcançou R$ 378,6 mil, quitado na véspera da atividade. A PF indicou que a cifra paga à empresa SS Eventos foi antecipada e manifestamente incompatível com o mercado, cujo teto previsto para o atendimento era de R$ 2,2 mil. Além disso, a perícia detectou que o local atestado não bate com o endereço previsto para o evento, e a CGU identificou indícios de ausência na prestação efetiva.
As irregularidades fazem parte da Operação Sonar, deflagrada em 15 de setembro. As apurações colocam o ex-presidente da CDP Jardel Rodrigues da Silva como suposto líder e beneficiário principal de cobrança de propina e direcionamento licitatório. No cumprimento dos mandados, o cunhado dele, Jonas Eros de Almeida da Silva, apontado pelos investigadores como intermediário, foi detido em flagrante com R$ 1,2 milhão em dinheiro guardado em malas. Por se tratar de fase de inquérito sem julgamento definitivo, prevalece a presunção de inocência de todos os envolvidos.
A 4ª Vara Federal Criminal do Pará determinou a suspensão do contrato e da ata de registro de preços da Docas do Pará com a SS Eventos, proibindo a prestadora de contratar com a administração pública. O termo previa R$ 2,1 milhões ao longo de 60 meses, mas auditoria interna apontou que R$ 1 milhão foi liquidado em apenas quatro meses, somando notas fiscais genéricas e sem relatórios probatórios dos serviços.
A redação acompanha os desdobramentos da apuração na Justiça Federal e busca a manifestação das defesas dos investigados e dos representantes da estatal.
O outro lado
Direito de resposta e contraditório, conforme a Lei 13.188/2015.
Companhia Docas do Pará (CDP)— Resposta solicitada
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Jardel Rodrigues da Silva— Resposta solicitada
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Jonas Eros de Almeida da Silva— Resposta solicitada
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SS Eventos— Resposta solicitada
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Fontes
Alvo da PF, Docas do Pará pagou coffee break de R$ 19,8 mil por pessoa (Metrópoles)primária(26/09/2026)
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