Juiz federal nega atuação no Banco Master após operação do CNJ em gabinete
Newton Ramos chamou fiscalização de natural depois de ser citado em mensagens apreendidas com Daniel Vorcaro

A investigação sobre magistrados federais e contratos milionários atinge diretamente a cúpula do Judiciário e o controle ético de decisões em Brasília.
O juiz federal Newton Ramos, integrante do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1), declarou considerar natural a atuação do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), que realizou uma correição extraordinária em seu gabinete. Durante o procedimento fiscalizatório, a equipe do órgão de controle recolheu discos rígidos e documentos para apuração disciplinar.
Em nota oficial, o magistrado afirmou manter confiança nos trabalhos da Corregedoria do CNJ e colocou-se à disposição para prestar esclarecimentos. Ramos sustentou a expectativa de que o procedimento comprove que ele jamais interveio em processos judiciais que envolvessem os interesses do Banco Master.
A ofensiva do órgão de controle decorre de conversas localizadas pela Polícia Federal no telefone de Daniel Vorcaro, apreendido em novembro de 2025. Nos diálogos, Ramos aparece mencionado como membro da chamada "Turma do KN", referência ao ministro do Supremo Tribunal Federal Kassio Nunes Marques, de quem o juiz foi auxiliar na corte regional federal.
As investigações apontam suspeita de atuação direta do juiz em matérias de interesse de sua esposa, a advogada Camilla Ramos, e do próprio Vorcaro. Camilla fechou um contrato de R$ 470 milhões com o Banco Master para atuar em litígios de precatórios bilionários ligados ao setor sucroalcooleiro, além de visitar Vorcaro na prisão e manter proximidade com o ex-banqueiro, segundo as mensagens.
A redação do Diário continuará acompanhando o desdobramento da apuração preliminar no Conselho Nacional de Justiça e buscará acesso ao teor dos relatórios técnicos decorrentes da análise dos materiais apreendidos.
O outro lado
Direito de resposta e contraditório, conforme a Lei 13.188/2015.
Newton Ramos— Respondeu em 25 de setembro de 2026
Em nota, afirmou considerar a ação do CNJ natural, colocou-se à disposição da Corregedoria e negou ter atuado em ações de interesse do Banco Master.
Camilla Ramos— Resposta solicitada
Não foi possível localizar o citado para comentar. O espaço segue aberto.
Defesa de Daniel Vorcaro e Banco Master— Resposta solicitada
Não foi possível localizar o citado para comentar. O espaço segue aberto.
Fontes
Juiz federal ligado a Kassio diz que ação do CNJ é 'natural' e nega ter atuado em processos do Master (Folha · Poder)primária(25/09/2026)
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