29 de setembro de 2026

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Investigações · Governo federalAlegação não julgada

Inquéritos da PF sobre Lulinha alcançam integrantes e ex-auxiliares do governo federal

Apurações no Supremo Tribunal Federal analisam suspeitas de lobby e pagamentos ligados a ministérios

Por Redação Diário2 min de leitura
Inquéritos da PF sobre Lulinha alcançam integrantes e ex-auxiliares do governo federal

Investigações sobre a cúpula de Brasília impactam o cenário político nacional e a transparência em contratos federais.

Três inquéritos conduzidos pela Polícia Federal apuram suspeitas de corrupção e tráfico de influência envolvendo Fábio Luís Lula da Silva, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, e a lobista Roberta Luchsinger. Conforme as investigações que tramitam no Supremo Tribunal Federal, ao menos quatro integrantes ou ex-integrantes do governo federal foram citados em trocas de mensagens e registros de movimentações financeiras sob análise policial. Como os casos estão em fase de inquérito, vigora o princípio constitucional de presunção de inocência.

A tese da PF sustenta que Luchsinger atuava na defesa de interesses empresariais perante órgãos públicos tendo Lulinha e o empresário Fernando Bittar como sócios ocultos. Em uma das frentes, mensagens indicam que a lobista teria orientado transferências de recursos em espécie a contas de Ranniêr, secretário-executivo adjunto do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social (MDS), de outro funcionário da pasta e de uma terceira pessoa. Meses após as movimentações relatadas, o ministério firmou contrato com um fornecedor de tecnologia ligado à lobista.

Outro servidor do cerimonial do MDS, José Martinho, também teve a conta e a de uma familiar apontadas nas mensagens como destino de valores. As investigações apuram ainda pagamentos realizados por Luchsinger que somam cerca de R$ 217 mil destinados a despesas pessoais de Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola, ex-chefe de gabinete da Presidência da República. Segundo a polícia, os desembolsos coincidiram com tratativas para intermediar demandas no Ministério da Saúde e no gabinete presidencial.

Swedenberger do Nascimento Barbosa, atual chefe de gabinete adjunto da Presidência e ex-secretário-executivo da Saúde, também é citado em diálogos sobre encontros e andamento de propostas de interesse da lobista. Mensagens de Lulinha descrevem almoços com Swedenberger e Marcola, sendo analisadas pelos investigadores para determinar se houve ingerência indevida na administração pública.

A redação acompanha o desdobramento dos três inquéritos no STF, as manifestações complementares do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social e eventuais decisões da Justiça sobre as provas colhidas pela Polícia Federal.

O outro lado

Direito de resposta e contraditório, conforme a Lei 13.188/2015.

Defesa de Fábio Luís Lula da Silva (Lulinha)— Respondeu em 24 de setembro de 2026

Afirmou que não é possível confirmar a autenticidade das conversas, negou relação com pagamentos, questionou a cadeia de custódia das provas e declarou que as conclusões da PF se apoiam em inferências não conclusivas.

Defesa de Marco Aurélio Santana Ribeiro (Marcola)— Respondeu em 24 de setembro de 2026

Declarou que os valores recebidos correspondiam a um empréstimo pessoal já quitado integralmente e assegurou que ele nunca intermediou negociações nem tramitou documentos de compras ou licitações em órgãos federais.

Ministério da Saúde— Respondeu em 24 de setembro de 2026

Informou que nunca teve contrato com a World Cannabis, empresa citada nas tratativas sob investigação.

Swedenberger do Nascimento Barbosa— Respondeu em 24 de setembro de 2026

Não se manifestou formalmente, mas informou a interlocutores que sua atribuição incluía receber demandas e enviá-las para análise técnica, sem ter dado andamento à proposta apresentada por Luchsinger.

Defesa de Roberta Luchsinger— Procurado, não respondeu

Procurada, a defesa não se manifestou; anteriormente, havia declarado que não comentaria inquérito sob sigilo.

Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social (MDS)— Procurado, não respondeu

A pasta foi procurada para esclarecer as suspeitas e os repasses a servidores, mas não apresentou resposta.

Fontes

Investigação sobre Lulinha envolve ao menos 4 integrantes do governo Lula; saiba quem são (Folha · Poder)primária(24/09/2026)

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