Gilmar Mendes defende suspender processo do Banco Master para definir ministros aptos a votar
Decano do STF pede redistribuição de petições e apuração sobre impedimentos antes de retomar deliberação no plenário

A definição sobre a composição de julgamentos no STF envolve regras regimentais e repercute sobre grandes apurações financeiras no país.
O ministro Gilmar Mendes, decano do Supremo Tribunal Federal, propôs a suspensão do julgamento da Petição 16.662, relacionada ao caso do Banco Master, até que a corte esclareça quais magistrados têm condições legais de participar da deliberação. A questão de ordem foi apresentada no dia 15 e teve o voto completo divulgado nesta segunda-feira (28/9). O decano defendeu apensar o processo à Petição 16.704 e realizar a redistribuição regimental de ambos os feitos.
A controvérsia processual surgiu após apontamentos do ministro Flávio Dino contra o envio da Petição 16.662 à Presidência do STF sem sorteio para nova relatoria. Ambos os magistrados sustentam que a designação do relator precisa observar estritamente as regras internas do tribunal e a garantia constitucional do juiz natural. Gilmar esclareceu que havia sugerido ao presidente Edson Fachin a união dos procedimentos apenas para ordenar a tramitação, e não para mantê-lo na relatoria em definitivo.
Em seu voto, o ministro destacou a urgência de avaliar eventuais motivos de impedimento ou suspeição. Ele relatou ter tido acesso a dados brutos do celular do empresário Daniel Vorcaro na véspera da sessão plenária. Entre os registros, citou diálogos de outubro de 2024 entre Vorcaro e o ex-diretor jurídico do banco Luiz Rennó sobre o placar de uma votação na 2ª Turma referente à Destilaria Alcídia, além de menções a Kevin Marques, filho do ministro Nunes Marques. Gilmar afirmou que conversas entre terceiros não bastam para configurar irregularidades, mas exigem apuração sobre a aptidão dos julgadores.
Como não há condenação ou decisão colegiada terminativa, aplica-se o princípio da presunção de inocência. Nunes Marques sustentou publicamente que jamais proferiu votos a favor de Vorcaro ou da entidade bancária, que não trocou mensagens com o empresário e que desconsiderou a anotação de impedimento no processo por entender que a restrição não correspondia à causa. O decano do STF apontou ainda disparidades na apuração de elementos relacionados a diferentes integrantes do tribunal conduzidas pelo ministro André Mendonça.
Gilmar propôs a identificação dos magistrados citados sobre os quais pairem indícios de recebimento irregular, abrindo prazo para manifestação da Procuradoria-Geral da República e dos próprios envolvidos antes da formação definitiva do colegiado. A redação vai acompanhar o desfecho da questão de ordem e o envio de manifestações pelos demais membros do STF.
O outro lado
Direito de resposta e contraditório, conforme a Lei 13.188/2015.
Nunes Marques, ministro do STF— Respondeu em 28 de setembro de 2026
Declarou publicamente que não votou a favor de Daniel Vorcaro ou do Banco Master, não trocou mensagens com o empresário e retirou a anotação de impedimento por considerar que a restrição não se aplicava ao processo em análise.
Fontes
Gilmar pede suspensão de julgamento sobre caso Master até identificação de ministros (Consultor Jurídico)primária(28/09/2026)
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