Conselho do MPF forma maioria para manter Gonet à frente de apuração do caso Master
Colegiado também avalia pedido do partido Novo para abrir investigação criminal preliminar contra o procurador-geral

A decisão define a cúpula das investigações federais que envolvem o sistema financeiro do país.
O Conselho Superior do Ministério Público Federal formou maioria nesta sexta-feira para manter o procurador-geral da República, Paulo Gonet, na condução dos procedimentos relacionados ao caso do banco Master. A representação que pedia o afastamento do chefe da PGR foi apresentada pelo partido Novo, com base em citações a Gonet presentes em relatório da Polícia Federal.
Em outra deliberação paralela durante a mesma sessão, o colegiado de nove integrantes registrou empate de 3 a 3 sobre a abertura de uma apuração criminal preliminar para averiguar a conduta de Gonet. O relator, subprocurador-geral Francisco Sanseverino, votou contra o impedimento e defendeu o arquivamento do pedido, alegando ausência de indícios suficientes encaminhados pela PF ao Supremo Tribunal Federal.
A divergência foi aberta pelas conselheiras Samantha Chantal Dobrowolski e Janice Agostinho Barreto Ascari, acompanhadas por José Adonis na defesa da instauração de procedimento interno. Dobrowolski sustentou que uma autoridade pública necessita de maiores cautelas institucionais e apontou a necessidade de averiguar eventual crime de prevaricação, criticando a atuação direta de Gonet após a menção ao seu próprio nome.
Os relatórios policiais anexaram mensagens extraídas do telefone de Daniel Vorcaro, nas quais o então advogado Ciro Soares mencionava proximidade e intermediação de contatos com o procurador-geral. Além disso, foi encontrada no aparelho uma fotografia em que Vorcaro e Gonet aparecem sentados à mesa durante um evento realizado em Londres.
Em pronunciamento prévio realizado no Supremo Tribunal Federal, Gonet afirmou que não mantém vínculos de proximidade com o ex-banqueiro e que o encontro registrado no exterior foi uma ocasião isolada, ocorrida em abril de 2024, na companhia de diversas autoridades públicas. A PGR confirmou a existência e a autenticidade da imagem.
A sessão foi suspensa antes do voto de conclusão do presidente em exercício do conselho, subprocurador Nicolao Dino. A redação acompanha o término da deliberação do colegiado e o desfecho do julgamento referente à abertura de apuração interna.
O outro lado
Direito de resposta e contraditório, conforme a Lei 13.188/2015.
Paulo Gonet, procurador-geral da República— Respondeu em 25 de setembro de 2026
Em manifestação no Supremo Tribunal Federal, o procurador-geral declarou não manter relação de proximidade com Vorcaro, afirmando que esteve com o empresário uma única vez em abril de 2024, em evento coletivo com outras autoridades, e que os elementos apurados não indicam irregularidades em sua atuação.
Fontes
Conselho do MPF tem maioria para manter Gonet à frente do caso Master (Poder360)primária(25/09/2026)
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