28 de setembro de 2026

Diário SP

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Banco Central atribui 40% da alta na inadimplência a nova regra contábil do CMN

Atrasos acima de 90 dias atingiram o recorde de 4,9% em julho, impulsionados pela exigência de maiores provisões bancárias

Por Redação Diário2 min de leitura
Banco Central atribui 40% da alta na inadimplência a nova regra contábil do CMN

O aumento contábil nas provisões e o custo elevado do crédito pressionam o orçamento doméstico e reduzem o consumo das famílias.

O Banco Central informou que cerca de 40% da elevação recente na taxa de inadimplência do Sistema Financeiro Nacional (SFN) é consequência da Resolução 4.966 do Conselho Monetário Nacional (CMN). A norma estabeleceu novos parâmetros contábeis para a classificação e o reconhecimento de perdas em operações de crédito. A medida exigiu que as instituições financeiras reclassificassem ativos e aumentassem provisões em contratos renegociados, gerando um efeito estatístico sem que tenha havido um salto proporcional em calotes imediatos.

Com essa mudança e as condições do mercado, o indicador de atrasos superiores a 90 dias atingiu 4,9% em julho de 2026, a marca mais elevada de toda a série histórica compilada pela autoridade monetária. As conclusões foram divulgadas no Relatório de Política Monetária (RPM) de setembro. O documento destaca que a taxa básica de juros, a Selic, mantida em nível contracionista por período prolongado, contribuiu para elevar o custo médio geral do crédito no país.

Segundo a autoridade, modalidades tradicionais como o crédito consignado e o financiamento de veículos perderam tração, levando os consumidores a recorrerem a linhas mais onerosas, como o cheque especial e o rotativo do cartão de crédito. Paralelamente, o consumo das famílias caiu 0,4% no segundo trimestre de 2026 ante o período anterior, reflexo do fim de estímulos temporários à renda, como a antecipação de precatórios, o reajuste do salário mínimo e a mudança nas faixas do Imposto de Renda.

Apesar da desaceleração no consumo e de uma queda de 0,6% no rendimento médio real habitual no trimestre, a taxa de desocupação nacional foi fixada em 5,4%, o menor índice histórico. Para o conjunto do ano de 2026, a estimativa do saldo total de crédito no sistema financeiro foi levemente ajustada de 9,0% para 9,1%, com projeção de crescimento de 8,8% para 2027.

A redação do Diário SP vai acompanhar a publicação das próximas notas de crédito do Banco Central e os impactos do encarecimento das linhas de financiamento sobre a atividade comercial e o setor produtivo no estado de São Paulo.

Fontes

BC diz que 40% da alta da inadimplência vem de nova regra contábil (Poder360)primária(24/09/2026)

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