Abin alerta para risco de interferência dos Estados Unidos nas eleições brasileiras
Documento reservado enviado ao TSE e ao Planalto aponta escalada de pressão política e econômica sobre o país

Avaliação de inteligência sinaliza aumento da tensão geopolítica e impactos diretos sobre as relações institucionais e o comércio exterior brasileiro.
Um relatório reservado elaborado pela Agência Brasileira de Inteligência (Abin) apontou a existência de risco de influência ou interferência direta dos Estados Unidos no processo eleitoral brasileiro deste ano. O documento confidencial, repassado no encerramento de agosto à Presidência da República, ao Ministério da Justiça e ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), classifica a situação com nível de criticidade e indica uma tendência de agravamento das pressões norte-americanas sobre as instituições nacionais.
De acordo com o diagnóstico do órgão de inteligência, as iniciativas de Washington se inserem em uma estratégia de reafirmação de hegemonia na América Latina conduzida pela gestão do presidente Donald Trump. O foco prioritário descrito é o afastamento de potências concorrentes, em especial a China, do acesso e controle sobre ativos estratégicos, malhas de infraestrutura e reservas de recursos naturais distribuídos pelo território regional.
O alerta da agência ocorre em meio a um histórico recente de atritos econômicos e disputas tarifárias impostas ao setor exportador do Brasil. Após sucessivas rodadas de taxações justificadas por temas que envolveram o uso do sistema Pix, regulação de plataformas digitais e restrições comerciais, determinadas mercadorias brasileiras destinadas ao mercado norte-americano passaram a ser submetidas a tarifas que chegam a 37,5%.
O relatório também contextualiza o impacto de episódios judiciais e políticos no desgaste bilateral, incluindo sanções anteriormente aplicadas contra ministros do Supremo Tribunal Federal e a condenação judicial do ex-deputado Eduardo Bolsonaro por coação em processos sobre a tentativa de golpe de Estado de 2022. O governo norte-americano também declarou as facções criminosas Comando Vermelho e Primeiro Comando da Capital como organizações terroristas.
A reportagem vai acompanhar a tramitação das medidas preventivas junto à Justiça Eleitoral e ao Ministério da Justiça, além de monitorar eventuais respostas diplomáticas formais de Washington sobre os apontamentos do órgão de inteligência.
Fontes
Brasil e EUA: entenda as relações após alerta sobre eleições (Agência Brasil)primária(20/09/2026)
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