Mensagens revelam consulta a investigados por elo com facção na compra de distribuidora de combustíveis
Diálogos obtidos pelo Gaeco mostram empresário alinhando decisões com alvos de operação policial para simular aquisição formal de empresa

Investigação do Ministério Público aponta blindagem societária e lavagem de capitais no setor de combustíveis em São Paulo.
Mensagens obtidas pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público de São Paulo, revelam que a compra da distribuidora de combustíveis Terrana teria sido coordenada nos bastidores por investigados ligados a uma organização criminosa. As comunicações fazem parte da terceira fase da Operação Carbono Oculto, que apura a atuação de Roberto Augusto Leme da Silva, conhecido como Beto Louco, e Mohamad Hussein Mourad, o Primo, ambos foragidos da Justiça.
Segundo os autos da investigação, o empresário Paulo Narcélio Simões do Amaral figurava formalmente como comprador da empresa para viabilizar a aprovação em procedimentos de conformidade do setor. Em troca de uma comissão de 0,75% sobre o negócio e remuneração mensal durante a fase inicial, ele mantinha a aparência de titular do negócio, enquanto orientações financeiras e administrativas eram submetidas a Mohamad Hussein Mourad por meio de um grupo de mensagens criado no fim de 2024.
Para intermediar a transação, foram abertas duas holdings em setembro de 2024, a Berna e a Branson, cada uma com capital social de R$ 1 mil e registradas no mesmo endereço vinculado aos alvos do Gaeco. A montagem societária teve a participação do escritório Garcia Peres Advogados, além de discussões sobre declarações patrimoniais destinadas a atestar a capacidade financeira do comprador perante o mercado.
A operação financeira sob apuração utilizou o fundo de investimentos Radford, administrado pelo Banco Genial, com recursos direcionados a certificados bancários que subsidiaram a concessão de crédito para as holdings comprarem ativos da Terrana. A apuração do Ministério Público sustenta que o capital que abasteceu o fundo pertencia ao próprio grupo sob suspeita. O Banco Genial esclareceu que Humberto Tupinambá, citado nas conversas, foi destituído da diretoria e deixou a sociedade em maio de 2026, antes das medidas mais recentes.
As suspeitas apontadas pelos promotores de Justiça e pela decisão judicial tratam de alegações em fase de inquérito e instrução probatória. Pela legislação brasileira, todos os investigados têm direito à ampla defesa e são considerados inocentes até eventual trânsito em julgado de condenação criminal.
A redação acompanha os desdobramentos da Operação Carbono Oculto na Justiça paulista e busca as manifestações das defesas de Paulo Narcélio, Mohamad Hussein Mourad, Roberto Augusto Leme da Silva e do escritório Garcia Peres.
O outro lado
Direito de resposta e contraditório, conforme a Lei 13.188/2015.
Banco Genial— Respondeu em 26 de setembro de 2026
Informou que Humberto Tupinambá não integra a diretoria e não é sócio da instituição financeira desde maio de 2026, quando ocorreu a sua destituição.
Humberto Tupinambá— Resposta solicitada
Não foi possível localizar o citado para comentar. O espaço segue aberto.
Paulo Narcélio Simões do Amaral— Resposta solicitada
Não foi possível localizar o citado para comentar. O espaço segue aberto.
Mohamad Hussein Mourad— Resposta solicitada
Não foi possível localizar o citado para comentar. O espaço segue aberto.
Roberto Augusto Leme da Silva— Resposta solicitada
Não foi possível localizar o citado para comentar. O espaço segue aberto.
Garcia Peres Advogados— Resposta solicitada
Não foi possível localizar o citado para comentar. O espaço segue aberto.
Fontes
Mensagens mostram empresário consultando investigado por elo com PCC durante compra de distribuidora de combustíveis (g1 São Paulo)primária(26/09/2026)
Se você foi citado nesta reportagem e quer responder, use o formulário de direito de resposta. Encontrou um erro? Escreva para a redação — correções ficam registradas em /correções.